Crítica | Transformers: O Último Cavaleiro

Há 10 anos atrás, o primeiro filme de Transformers chegava ao cinema, com boa parte do marketing exaltando o nome do produtor Steven Spielberg – uma vez que o cargo de diretor seria ocupado por Michael Bay –, provavelmente para chamar atenção do público de Spielberg, fãs de filmes com atmosfera semelhante ao apresentado: ficções-científicas com enredo leve estrelados por um elenco jovem. A trama de um jovem que se depara com um robô alienígena ao comprar seu primeiro carro fez até mesmo Bay duvidar se o filme daria certo, entretanto, a ideia arriscada provou-se um sucesso.

Com certeza, a maior prova disso é a sobrevivencia da franquia, mesmo diante das intensas críticas negativas à trama e ao seu diretor, que segue na direção de todos os cinco filmes até aqui, ainda que utilizando uma fórmula que muitos apontam estar esgotada há um bom tempo. Fica a questão: chegando à quinta empreitada e – novamente – prometendo uma despedida da cadeira de diretor, Bay entrega um resultado que faz jus ao primeiro filme, ou continua seguindo sua fórmula de “quanto maior, melhor” que é tão críticada desde A Vingança dos Derrotados?

Transformers: O Último Cavaleiro segue familiar para seu público, todos os elementos dos capítulos anteriores estão ali: a destruição em massa, o take do protagonista contra o pôr-do-sol, a câmera atenta à beldade da vez, os inspirados discursos de Optimus Prime e o impecável visual do filme. Há também o retorno de personagens: Mark Whalberg como Cade Yeager e direto da trilogia original, Josh Duhamel e John Turturro surgem aqui em participações menores, mas suficiente para ligar o filme à trama original dos tempos de Sam Witwicky.

Aliás, se o roteiro do filme acerta em algo – SE –, é a visível preocupação do filme em estabelecer conexões com o passado. Um passado distante, visto que a trama tem inspiração direta nos contos Arturianos (daí o subtítulo), com direito até à um clima de misticismo em torno dos alienígenas robóticos. Ainda que estamos falando de Bay e, como tudo que cabe ao filme, as conexões são um dos elementos que o filme usa em excesso, chegando a ficar cansativo. Aliás, cansaço é algo recorrente aqui, visto que o filme dá a impressão de ser maior que seus 149 minutos.

O maior problema do filme, entretanto, não é sua duração, mas a forma como o tempo em tela é utilizado: temos, facilmente, três subtramas ocorrendo em paralelo, cada núcleo com sua dose mais-que-necessária de ação – bem acentuada em sessões 4D – e que, basicamente, não acrescentam em nada à trama, servindo apenas para fazer o espectador aguardar pelo já esperado grand finale, ou seja, uma batalha ainda maior que as outras exibidas e é claro, protagonizando os robôs novos da trama e deixando tudo que já foi apresentado nos capítulos anteriores em segundo plano. A intenção do diretor, obviamente, é fazer algo maior que o anterior.

Felizmente, a subtrama Arturiana cai bem e embora venha com piadas sem timing, conta com sir Anthony Hopkins para atribuir a grandiosidade necessária à ela. Mesmo diante do carisma de Whalberg e da beleza de Laura Haddock, é Hopkins que rouba a cena e toma para si os melhores momentos da projeção. Há o destaque também ao trabalho da jovem Isabela Moner, que apesar de ter pouco tempo em cena, constrói uma personagem forte por si só, sem que esteja na batalha por estar destinada a isso. É também graças à esta subtrama que o filme constrói o que talvez seja a mais bela cena da franquia, com a resolução do “julgamento” de um dos robôs.

Com um roteiro aquém ao visual impecável e apresentando mais do mesmo, Transformers: O Último Cavaleiro, apresenta um resultado fraco, mas ainda melhor que seus antecessores. O filme peca principalmente por seus excessos, mas fica a impressão de que algo de tamanha grandiosidade só poderia ser entregue por um diretor como Michael Bay. Se isso é bom ou ruim, vai de cada um, afinal de contas, a franquia Transformers é como um parque de diversões: você até consegue se divertir, mas estará exausto no fim do dia.

Nota Final: 6,5

Transformers: O Último Cavaleiro (Transformers: The Last Knight), 2017

Direção: Michael Bay

Roteiro: Akiva Goldsman, Steven S. DeKnight, Robert Kirkman, Matt Holloway, Art Marcum, Michael Bay, Steven Spielberg, Jeff Pinkner, Zak Penn, Christina Hodson, Lindsey Beer.

Elenco: Mark Wahlberg, Peter Cullen, Isabela Moner, Anthony Hopkins, John Goodman, John Turturro, Josh Duhamel, Ken Watanabe, Stanley Tucci.

Duração: 149 minutos.